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Ouça
a música:
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Quem
inventou a partida?
De um filho, de um amigo, de um parente, da vida...
Que oca figura é esta que nada lhe toca e lhe resta,
para inventá-la tão triste?
E tudo nela é sofrido: o abraço, o olhar, o beijo dividido...
Tudo nela tem uma ponta de dor:
As palavras, um afago, uma lágrima!
E ainda nos deixa uma saudade tamanha,
Pesada de carregar!
Quem inventou a partida
Não sabia amar!
Não teve infância, nem se apaixonou!
Não teve amigos, nunca chorou...
Não viu a primavera, a neve das chaminés!
A chuva da janela, os rios e igarapés.
Quem inventou a partida
Deveria estar de mal com a vida!
Não conseguiu compreendê-la.
Não viu o neto, a noite e seu teto,
os quinze anos de um filho...
Quem inventou a partida?
Seria a própria dor nascida?!
Perdeu os natais, crepúsculos e madrigais...
Perdeu o pulsar da vida!
Quem inventou a partida
a fez sem autorização, do amor guardado em nós!
Sem data marcada , sem dia certo... fez a sós!
Sem trato, ou distrato, sem contrato de gaveta.
Mas a fez, metido a besta!
E a nós, o que resta?
Dos dias, espreitar à fresta
esperando o momento que chegará em nossa vida,
no mais completo silêncio.
"Quem
inventou a partida?"
(José Geraldo Martinez)

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