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Sinto
saudades de coisas sérias, de coisas hilariantes, de casos,
de experiências...
Sinto saudades do cachorrinho que eu tive um dia e que me
amava fielmente, como só os cães são capazes de fazer, dos
livros que li e que me fizeram viajar, dos discos que ouvi
e que me fizeram sonhar, das coisas que vivi e das que deixei
passar, sem curtir na totalidade;
Quantas vezes tenho vontade de encontrar não sei o que, não
sei aonde, para resgatar alguma coisa que nem sei o que é
e nem onde perdi...
Vejo o mundo girando e penso que poderia estar sentindo saudades
em japonês, em russo, em italiano, em inglês, mas que minha
saudade, por eu ter nascido brasileira, só fala português,
embora, lá no fundo, possa ser poliglota.
Aliás, dizem que costuma-se usar sempre a língua pátria, espontaneamente,
quando estamos desesperados, para contar dinheiro, fazer amor
e declarar sentimentos fortes, seja lá em que lugar do mundo
estejamos.
Eu acredito que um simples "I miss you", ou seja
lá como possamos traduzir saudade em outra língua, nunca terá
a mesma força e significado da nossa palavrinha.
Talvez não exprima, corretamente, a imensa falta que sentimos
de coisas ou pessoas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudades...
Porque encontrei uma palavra para usar todas as vezes em que
sinto este aperto no peito, meio nostálgico, meio gostoso,
mas que funciona melhor do que um sinal vital quando se quer
falar de vida e de sentimentos.
Ela é a prova inequívoca de que somos sensíveis, de que amamos
muito o que tivemos e lamentamos as coisas boas que perdemos
ao longo da nossa existência...
Sentir saudade, é sinal de que se está vivo!
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