Ouça a música:
"Sometimes" - The Carpenters

E de repente
A menina não mais existe:
A mulher nasce
E mostra o seu valor...
Sonhos infinitos perderam o seu tempo
E o tempo sobra para observar e aprender.
Onde a poesia e o lirismo foram plantados,
Hoje um chão real abriga a terra,
Não há poesias utópicas
E a realidade da luta travada
Em cada ponto do caminho
Ganha a estrada.
Fecundos frutos abraçam o solo
Semeados ao ritmo dos ventos,
Absorvidos pela natureza,
Amadureceram.
A cortina do discernimento
Delimita os sonhos:
As fantasias da realidade.
O ser real sóbrio fala mais alto,
Não há arroubos e nos olhos há chama acesa.
A vida existe transmutada
Em plácida serenidade e sabedoria...
Os passos apressados hoje caminham lentamente
Por se saber que a velocidade
Nem sempre faz vencedores.
Ritmo constante, porém , é mantido,
Para assegurar-se do sucesso da partida:
Calculando-se os passos
Não se cansa à toa...
Hoje eu posso avaliar com precisão
Coisas que antes nem sequer eu pensaria:
Ontem pensara ser os "trinta" o fim do túnel
Hoje percebo
Que é aqui que se inicia seu melhor trajeto.
A claridade aparece pouco-a-pouco
Matando certezas, constatando outras verdades,
Fazendo duelarem as mulheres
Que em mim habitam
E também unindo-as em perfeita sintonia...
Hoje eu olho para meus "dezoito", "desesseis"
E me alegro por chegar onde cheguei:
Por ter vivido e morrido muitas vezes,
Pelo renascer transformada,
Revigorada em cada morte,
Pelo aperfeiçoamento
E qualidades adquiridas,
Pelo "jogo de cintura" aprendido
Frente a vida,
Que nem sempre é bonita e colorida,
E pela coragem de reconhecer que também erro...
Descobri hoje não ser a "super-mulher"
Que imaginara desde cedo que seria,
Mas estou certa do valor que eu possuo:
Neste universo de astros Eu Sou Estrela de Luz,
Um ser único que merece ser feliz...
Sei que muitos de meus sonhos se perderam
Outros tantos, porém, felizes, floresceram
Dando cor a acinzentados tons
As lições pouco-a-pouco aprendidas
Perfumaram e perfumam toda a lida,
Hoje posso dizer que em minha vida
tudo teve seu sentido, se encaixou...
A alegria, a dor, o sofrimento,
O êxtase e o maior tormento
Caminham, companheiros, em silêncio,
Nas trilhas que me levam à evolução...

TRANSMUTANTE - (METAMORFOSE)
(
Rita Palhares)

Este poema, de autoria de Rita Palhares,
faz parte do Livro Antologia Ofício de 1992, prêmio Estímulo,
oferecido pela Secretaria Municipal de Cultura de  Campinas-SP.

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