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...Ah, o amor,
essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma
equação matemática:
"eu linda + você
inteligente = dois apaixonados."
Não funciona assim. Ninguém ama outra pessoa
pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não-fumantes
teriam uma fila de pretendentes batendo à porta.
O amor
não é chegado a fazer contas, não obedece à razão.
O
verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.
Costuma ser despertado mais pelas flechas do cupido que por uma ficha limpa.
Ninguém
ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são
só referências.
Ama-se
pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que
provoca.
Ama-se
pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se
revela quando menos se espera.
Amar não
requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC.
Ama-se
justamente pelo que o amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares,
generosos tem às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó.
Mas
ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é.
"As
razões que o amor desconhece"
(Martha
Medeiros)
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