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Ouça
a música: Afinidade é um dos poucos sentimentos
A afinidade não é o mais brilhante,
mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos. É o mais independente. |
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Ter afinidade
é muito raro. Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas
deixaram de estar juntas. O que você tem dificuldade de expressar a um não afim,
sai simples e claro diante de alguém com quem você tem afinidade.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam,
comovem ou mobilizam. É ficar conversando sem trocar palavras. É receber o que
vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Afinidade é sentir com. Nem sentir contra, nem sentir para, nem sentir por,
nem sentir pelo. Quanta gente ama loucamente, mas sente contra o ser amado.
Quantos amam e sentem para o ser amado, não para eles próprios.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo. É olhar e
perceber. É mais calar do que falar, ou, quando é falar, jamais explicar: apenas
afirmar.
Afinidade é jamais sentir por. Quem sente por, confunde afinidade com masoquismo.
Mas quem sente com, avalia sem se contaminar. Compreende sem ocupar o lugar
do outro. Aceita para poder questionar. Quem não tem afinidade, questiona por
não aceitar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças. É conversar no silêncio,
tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidade vividas.
Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou sem lamentar o tempo de
separação. Porque tempo e separação nunca existiram. Foram apenas oportunidades
dadas (tiradas) pela vida, para que a maturação comum pudesse se dar. E para
que cada pessoa pudesse e possa ser, cada vez mais a expressão do outro sob
a forma ampliada do eu individual aprimorado.
(Artur da Távola)
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